• mapasconfinamento

Teresa Guerreiro




COZINHADO


cozinho a ansiedade

em lume brando

mantenho esta angústia

em banho-maria

águas tépidas de medo

contido

fermentação lenta

de tristeza enfarinhada


separo as dores gordurosas

das mais secas

e cozo-as em águas

separadas


os pânicos preparam-se

à parte

dos mais leves aos mais

negros

em momentos distintos

de confeção


e espero

... conseguir

não fugir





POEMA RESPIRATÓRIO


Ar-mar

Ar-poar

Ar-tilhar

Ar-rasar

Ar-repender

Ar-rebatar

Ar-repiar

Ar-der

Ar-ar


O meu coração


Falta-me o ar




--




Farta

Farta disto

Farta do medo

Farta de falar do medo

Farta de especular o medo

Farta de comer e vomitar o medo

Farta de fingir que não há medo

Farta de hiperbolizar o medo

Farta de sentir este medo

De respirar de existir

De viver sem sorrir

Deste persistir

Do medo

Em mim


É tempo de sair de dentro do medo

É tempo de perceber o momento

É tempo de percorrer o tempo

É tempo de encarar o medo

De pensar sem congelar

A capacidade de pensar

Para não sucumbir à chapada

Para ir além do medo-momento

Para caminhar sem medo do vento




Nascida no Monte Estoril, atualmente a residir em Elvas, é professora de Português e professora bibliotecária, profissão que exerce há quase 30 anos. Mãe de dois filhos sempre a crescer, fotografa por prazer, escreve por necessidade, lê porque a alma também precisa de oxigénio para respirar. A poesia tem lugar cativo nas suas preferências de leitura e escrita, desde que aprendeu a ler e escrever. A pandemia foi palco para intensa reflexão escrita.


She was born in Monte Estoril, lives in Elvas, is a teacher of Portuguese and also a librarian-teacher for almost 30 years. She has two children, photographs for pleasure, writes for necessity and reads because her soul needs oxygen in order to survive. Poetry has a special place in her readings and writing since she learned how to read and write. This pandemic has been a stage for profound writing reflection.


Née à Monte Estoril, elle réside à Elvas (Portugal). Elle est enseignante de portugais et bibliothécaire, une profession qu’elle exerce depuis près de trente ans. Mère de deux enfants qui n’ont pas fini de grandir, elle pratique la photographie par plaisir, écrit par nécessité, lit parce que l’âme a aussi besoin d’oxygène pour respirer. La poésie a une place importante dans ses préférences de lecture et d’écriture depuis qu’elle a appris à lire et à écrire. Le temps de la pandémie a été le théâtre d’une intense réflexion écrite.

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