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Em Fevereiro de 2021, Gabriela Ruivo Trindade e Nuno Gomes Garcia, ambos escritores, portugueses e emigrantes, ela em Londres, ele em Paris, resolveram lançar um desafio a vários artistas:

"A ideia é assustadora, mas há já um ano que vivemos tempos estranhos e novos: uma pandemia a galope, confinamentos sucessivos, medos vários, agravação de situações de isolamento, de desigualdade e de pobreza. A saúde mental ressente-se, quando não é a outra a deitar-nos por terra.

Pensámos que seria bom trabalharmos em conjunto para marcarmos da melhor forma o aniversário desta nossa nova forma de vida. Encontrar um projeto artístico comum, nestes tempos difíceis, pode dar-nos um alento inesperado. Ver romancistas, poetas, ilustradores, tradutores, fotógrafos… das mais diversas origens – tendo a língua portuguesa como denominador comum – a contribuírem para um projeto que sirva de memória futura, que caracterize e descreva o momento (verdadeiramente) histórico que estamos a viver, é algo de enorme relevância. Desenharmos em conjunto os mapas do confinamento que cada um de nós experienciou, tanto física como emocionalmente, ou elaborarmos um manifesto de revolta contra as políticas desastrosas de (des)apoio à cultura que vemos grassar por esse mundo fora é, a nosso ver, absolutamente essencial.

 

Os livros, o teatro, os museus… deveriam ser considerados bens de primeira necessidade. Os profissionais da cultura encontram-se abandonados e entregues à sua sorte. Unirmo-nos numa empreitada comum poderá tornar-se também um ato de resistência."

Maps of Confinement

In February 2021, Gabriela Ruivo Trindade and Nuno Gomes Garcia, both Portuguese writers and emigrants, she in London, he in Paris, decided to pose a challenge to a number of fellow artists.

"It’s a scary thought, but we have been living in this strange new era for a year now: a galloping pandemic, successive confinements, numerous fears, and ever worsening levels of isolation, inequality, and poverty. Our mental health degenerates, as if it wasn’t enough with the threat to the physical one.

We thought it would be wonderful if we came together to mark the anniversary of this new age. Finding a common artistic goal, in these challenging times, can give us an unexpected boost. To witness writers, poets, illustrators, translators, photographers, from all kind of backgrounds - with the Portuguese language as common ground - contributing to a project that will prevail for posterity, which describes and features the (truly) historic moment we are currently living through, can have a remarkable impact. We consider it absolutely essential that we draw together the maps of confinement that each of us is experiencing, both on a physical and emotional level. Likewise, coming up with a manifesto against the disastrous policies, especially those designed to (un)support culture, that are spreading all over the world.

Books, theatres, museums... ought to be regarded as essential goods. Cultural professionals have been completely abandoned and left to their own fate. Uniting through a common goal can surely turn into an act of resistance."

Cartes du Confinement

En février 2021, Gabriela Ruivo Trindade et Nuno Gomes Garcia, tous deux écrivains et émigrés portugais, elle à Londres, lui à Paris, ont décidé de lancer un défi à un certain nombre de leurs confrères artistes.

"Le projet peut paraître étonnant, mais cela fait un an déjà que nous vivons une période étrange et nouvelle : une pandémie galopante, des confinements successifs, des peurs diverses, une aggravation des conditions d'isolement, d’inégalité et de pauvreté. Notre santé mentale se détériore, quand ce n’est pas notre santé tout court qui nous joue un mauvais tour.

 

Nous avons pensé que ce serait formidable si nous parvenions à nous rassembler pour marquer l'anniversaire de cette nouvelle ère. Trouver un objectif artistique commun, en ces temps difficiles, peut nous donner un nouvel élan inattendu. Voir des écrivains, des poètes, des illustrateurs, des traducteurs et des photographes de tous horizons, et ayant la langue portugaise comme dénominateur commun, participer à un projet qui contribue à la construction d’une mémoire future, qui permette de caractériser et de raconter ce moment (vraiment) historique que nous vivons actuellement, est d’une importance primordiale. Dessiner les cartes du confinement que chacun de nous a vécu, physiquement et émotionnellement, ou proposer un manifeste contre les politiques culturelles désastreuses que nous voyons se répandre dans le monde, est, selon nous, absolument essentiel.

Les livres, le théâtre ou les musées doivent être considérés comme des biens essentiels. Les professionnels de la culture ont le sentiment d’avoir été abandonnés et livrés à leur sort. S'unir dans un but commun peut certainement devenir un acte de résistance."