FOTOGRAFIA

Ana Carvalho

"O tempo teve aqui um papel muito importante. A mesma rotina dia após dia com a sensação de não ter nenhuma perspectiva, nenhuma saída. Como se o espaço fosse cada vez mais apertado e me sentisse andar em círculos. Foi por isso que escolhi o relógio como principal símbolo, não apenas do tempo que passa mas que avança tão lentamente que parece congelar. Outros símbolos são portas fechadas, a sua repetição, a luz que atravessa as persianas."

"Time was a key element. The same routine day after day and the feeling that there was no perspective, no way out, as if the space was shrinking and I was walking in circles. This is why I chose the clock as a main symbol, not only for the time that goes by, but, more so, for the time that passes so slowly it seems to freeze. Other symbols are closed doors, their repetition, the light shining through the windows."

"Dans mon cas, le temps a eu un rôle très important. Jour après jour, toujours la même routine, avec cette impression de me retrouver sans projet et sans issue. Comme si je tournais en rond dans un espace qui devenait de plus en plus restreint. C’est pour cette raison que j’ai choisi le réveil comme principal symbole, non seulement du temps qui passe mais aussi du temps qui avance tellement lentement qu’il paraît se figer. Les autres symboles ce sont des portes fermées, leur répétition, la lumière qui traverse les persiennes."

(Leia na íntegra aqui)

Inside Out

Inside Out

©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

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©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

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©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

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©Ana Carvalho

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©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

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©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

Inside Out

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©Ana Carvalho

Teresa dos Santos

"Mapas

Caminho sempre em frente; é essa a única direcção que conheço, que quero conhecer.

É por isso que não preciso de mapas.

Tempo

É estúpido que existam calendários. Que se aprisionem assim as vidas. Que se condicionem os sentimentos e as emoções a números, a escalas, a formalismos, a padrões, a conceitos.

Sexta-feira vamos estar juntos. Sexta-feira vamos abraçar-nos. Sexta-feira seremos felizes. Sexta-feira, só sexta-feira. Consegues esperar até sexta-feira?

Apenas o tempo é livre; nós, não.

Vazio

Vazio é o que se chama ao espaço que existe entre nós. Aquele que podemos percorrer juntos."

Dicionário do Confinamento, de Paulo Kellerman (leia na íntegra)

Confinamentos

#1 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#2 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#3 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#4 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#5 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#6 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#7 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#8 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#9 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#10 by ©Teresa dos Santos

Confinamentos

#11 by ©Teresa dos Santos

José Luís Jorge

FÁTIMA DESPIDA

Fátima é um lugar de multidões, afirmação redundante que a ninguém causa surpresa. Todos sabemos que é assim, seja por experiência própria, seja por termos visto através de um ecrã.  Mas eis que chegados a 2020 — ano como não temos memória de ter havido outro igual —, o lugar de multidões transformou-se num imenso deserto (só silêncio e quietude, de alguma forma mais em consonância com um lugar associado à religiosidade e espiritualidade).

Durante o mês de Abril de 2020 desloquei-me quatro vezes ao santuário, acicatado pela curiosidade, e o que encontrei foi uma Fátima despida de peregrinos e de turistas. Quem já viu um milhão de pessoas concentradas naquele espaço, poderosa experiência, e depois se confronta com esse mesmo espaço vazio, não pode deixar de sentir um forte abalo dos sentidos. Comigo aconteceu assim. Foi essa Fátima tão insólita, tão distante do arquétipo, que me esforcei por registar em imagens.

FÁTIMA STRIPPED BARE

Fátima is a place of multitudes, a redundant statement that won’t surprise anyone. We all know this, whether from personal experience or having seen it onscreen. But then 2020 arrived – a year the likes of which no one can remember – and the place of multitudes transformed into an immense desert (only silence and stillness, somehow more in accordance with a place associated with religiousness and spirituality).

During April of 2020, I visited the sanctuary four times, moved by curiosity, and discovered a Fátima stripped bare of pilgrims and tourists. Those who have witnessed a million people concentrated in that space – such a powerful experience – and are then confronted by the emptiness of that very same space, cannot help but feel a heavy shock to the senses. That’s what happened to me. It’s that unusual Fátima, so distant from its archetype, that I aimed to document through images.

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Victor Meadowcroft)

FATIMA DEPOUILLEE

Fátima est un lieu taillé pour la foule, affirmation redondante qui ne surprendra personne. Nous savons tous qu’il en est ainsi, pour l’avoir vécu personnellement ou pour l’avoir vu par écran interposé. Mais voici qu’arrive 2020, une année comme de mémoire nous n’en avions jamais connu, et le lieu taillé pour la foule s’est transformé en un immense désert (le silence et la quiétude habitent le lieu, en cohérence d’une certaine façon avec son esprit, sa religiosité).

Je me suis rendu à quatre reprises au sanctuaire au mois d’avril 2020, animé par la curiosité, et j’y ai trouvé une Fátima dépouillée de ses pèlerins et de ses touristes. Qui a déjà observé un million de personnes entassées là – expérience puissante – et se confronte ensuite à ce même espace vide ne peut pas ne pas ressentir un fort trouble. C’est ce qui m’est arrivé. C’est cette Fátima si insolite, si éloignée de l’archétype, que je me suis efforcé d’enregistrer en images.

(Traduction de Sébastien Rozeaux)

Carla de Sousa

Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

The Quarantine

The Quarantine

© Frankie Boy

Goretti Pereira

Estas fotografias analógicas a preto e branco sobre temáticas abstratas refletem a minha experiência de isolamento em 2020, altura em que me senti física e emocionalmente encurralada. Como fotógrafa, vi-me forçada a explorar o ambiente mais próximo, desenvolvendo um prazer renovado na observação das pequenas coisas mundanas. Isso fez com que a minha perspectiva se alterasse, permitindo-me expressar através do abstrato. 

(Originalmente escrito em inglês. Tradução de Gabriela Ruivo Trindade)

These abstract black-and-white analogue images reflect my time of isolation in 2020, which made me feel trapped physically and emotionally. As a photographer, I was forced to explore my immediate surroundings, developing a new appreciation for the mundane and ordinary things. This shifted my perspective and allowed me to express myself in a more abstract way.

Ces photographies analogiques en noir et blanc sur des thèmes abstraits reflètent mon expérience de l'isolement en 2020, alors que je me sentais physiquement et émotionnellement piégée. En tant que photographe, j'ai été contrainte d'explorer mon environnement le plus immédiat, et d’apprécier de façon inédite les petites choses banales. Cela a changé mon point de vue sur le monde, sur lequel je porte un regard plus abstrait. 

(Traduction de Sebastien Rozeaux)

Sónia Silva

Screenshot 2021-04-19 at 21.34.54.png
E no escuro, uma pele.
A skin within the darkness.
Et dans le noir, une peau.

Olhos fechados. Olhos abertos.

Dentro. Fora.

Onde está a fronteira?

Como posso distinguir o dentro do fora?

Como posso perceber se, quando te vejo, tenho realmente os olhos abertos?

Como posso perceber se existes dentro ou fora de mim?

Tenho medo de não te ver quando fechar os olhos.

E agora, já me podes abraçar?

 

Paulo Kellerman

Eyes closed. Eyes open.

Inside. Outside.

Where is the border?

How can I distinguish the inside from the outside?

How can I know if my eyes are really open when I see you?

How can I know if you exist inside or outside of me?

I’m afraid I won’t see you when I close my eyes.

How about now, can you hold me?

Paulo Kellerman

Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Andrew McDougall

Yeux fermés. Yeux ouverts.

Dedans. Dehors.

Où est la frontière ?

Comment distinguer le dedans du dehors ?

Comment savoir si, lorsque je te vois, mes yeux sont réellement ouverts ?

Comment savoir si tu existes en moi ou en dehors de moi ?

J'ai peur de ne pas te voir quand je ferme les yeux.

Et à présent, peux-tu enfin me prendre dans tes bras ?

 

Traduction de Clara Domingues

#1
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© Sónia Silva

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#2
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© Sónia Silva

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#5
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© Sónia Silva

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#1
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© Sónia Silva

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Ana Gilbert

A SOMBRA DOS DIAS

Fotografo a sombra dos dias para ter a certeza de que eles passam.

THE SHADOW OF THE DAYS

I capture the shadow of the days so I'm certain that they pass by.

L'OMBRE DES JOURS

Je photographie l'ombre des jours pour m'assurer qu'ils passent.

Ana Gilbert fotografia

©Ana Gilbert, Linhas sem fuga

Rafael Vieira

Deus já estava nos detalhes – e, assim, também o Diabo (o Inimigo) habita nos detalhes. A passagem do tempo e a sedimentação das horas vão contaminando tudo, todos, na perecibilidade dos alimentos, no sobre-uso das ferramentas, na experimentação culinária, em novos hábitos a fazer de hábito, no jogo da espera e das expectativas. Este é um longo exercício de monotonia em que, como Hopper, se vão tirando instantâneos do tédio. A sedimentação das horas permite o inverso: além da duplicidade entre letargia e explosões de criatividade, faz-se a observação das coisas em proximidade, a demora no olhar sobre os objectos, porventura algo nunca concretizado. Até que neles se manifestem cicatrizes, estranhezas, irreconhecibilidade. 

God was already in the details – and, likewise, the Devil (the Enemy) also inhabits the details. The passing of time and the sedimentation of the hours have been contaminating everything, everybody, in the perishability of food, the overuse of tools, culinary experimentation, new habits becoming habit, the waiting game and expectations. This is a long exercise in monotony, in which, like Hopper, we capture snapshots of tedium. The sedimentation of the hours allows the opposite: beyond the duplicity between lethargy and bursts of creativity, we observe the world at hand, our eyes linger on objects, perhaps something we never really do. Until from within them unfold scars, strangeness, the unrecognizable. 

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Andrew McDougall)

Dieu était déjà dans les détails – et, par conséquent, le Diable (l’Ennemi) aussi se niche dans les détails. Le passage du temps et la sédimentation des heures, peu à peu contaminent tout et tous dans la péremption des aliments, la surexploitation des outils, la recherche culinaire, les nouvelles habitudes qui deviennent une habitude, le jeu de l’attente et de l’espoir. Il s’agit là d’un long exercice de monotonie où, comme Hopper, on capte les instantanés de l’ennui. La sédimentation des heures permet le contraire : au-delà de la duplicité entre léthargie et explosions de créativité, on observe les choses dans la proximité, avec un regard long sur les objets, probablement quelque chose qui n’a jamais été concrétisée. Jusqu’au moment où ils se couvrent de cicatrices, d’étrangetés, de signes méconnaissables.

(Traduction de Dominique Stoenesco)

Confinamento #1

Confinamento #1

© Rafael Vieira

Confinamento #2

Confinamento #2

© Rafael Vieira

Confinamento #3

Confinamento #3

© Rafael Vieira

Confinamento #4

Confinamento #4

© Rafael Vieira

Confinamento #5

Confinamento #5

© Rafael Vieira

Confinamento #6

Confinamento #6

© Rafael Vieira

Confinamento #7

Confinamento #7

© Rafael Vieira

Confinamento #8

Confinamento #8

© Rafael Vieira

Confinamento #9

Confinamento #9

© Rafael Vieira

Confinamento #10

Confinamento #10

© Rafael Vieira

Confinamento #11

Confinamento #11

© Rafael Vieira

Confinamento #12

Confinamento #12

© Rafael Vieira

Confinamento #13

Confinamento #13

© Rafael Vieira

Confinamento #14

Confinamento #14

© Rafael Vieira

Confinamento #15

Confinamento #15

© Rafael Vieira

Confinamento #16

Confinamento #16

© Rafael Vieira

Manuela Vaz

CALIGEM

Neste novo real que é ver o mundo da minha janela, tomei para mim o Sol, as nuvens e os nevoeiros e o vento, as casas e os seus telhados, os humores do tempo. Roubei-os com a minha objetiva e fiz deles meus. Com eles fugi de casa e imaginei paisagens diversas daquelas que o meu horizonte permitia. Por companhia, tive o som dos pássaros, que invadiram os espaços livres de humanos.

E os barcos, lá ao longe.

BRUME

In this new reality that consists in watching the world through my windows, I took possession of the sun, the clouds, the fog and the wind, the houses and their roofs, the dispositions of time. I stole them with my camera and made them mine. With them, I ran away from home and imagined other landscapes beyond my horizon. For company, I had the chirping of the birds which invaded the spaces abandoned by humans.

And the boats, far off in the distance.

 

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Victor Meadowcroft)

BRUME


Dans cette nouvelle réalité qui consiste à regarder le monde à travers ma fenêtre, j'ai pris pour moi le soleil, les nuages, le brouillard et le vent, les maisons et leurs toits, les humeurs du temps. Je les ai volés avec mon objectif et je les ai faits miens. Avec eux, je me suis enfuie de chez moi et j'ai imaginé d'autres paysages au-delà de mon horizon. Pour compagnie, j'avais le pépiement des oiseaux qui envahissaient les espaces désertés par les humains.

Et les bateaux, au loin.

(Traduction de Clara Domingues et Nuno Gomes Garcia)

Caligem #1
Caligem #1

© Manuela Vaz

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Caligem #2
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© Manuela Vaz

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Caligem #3
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© Manuela Vaz

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Caligem #4
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© Manuela Vaz

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Caligem #5
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© Manuela Vaz

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Caligem #6
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© Manuela Vaz

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Caligem #7
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© Manuela Vaz

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Caligem #8
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© Manuela Vaz

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Caligem #9
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© Manuela Vaz

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Caligem #10
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© Manuela Vaz

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Caligem #11
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© Manuela Vaz

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Caligem #12
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© Manuela Vaz

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Alice WR

RESPIRAR

Ultrapassado o choque inicial, em que o meu cérebro me colocou a viver em modo de sobrevivência e não me deixou pensar muito, consegui aventurar-me e sair. Fui para os meus lugares de respirar. Lugares de mim e para mim. Deixei-me por lá ficar, à conversa com o ar, a terra, a água, as pedras, os animais e os dias. A respiração, essa, eu podia controlar.

BREATHING

Once I’d overcome the initial shock, in which my brain had made me live in survival mode and had prevented me from thinking too much, I was able to venture outside. I went to my breathing places. Places of and for myself. I lingered there, conversing with the air, the earth, the water, the pebbles, the animals and the days. Breathing was the one thing I could control.

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Victor Meadowcroft)

RESPIRER

Une fois passé le choc initial, sous l’effet duquel mon cerveau me plongea en mode survie et ne me laissa plus trop réfléchir, je m’enhardis et parvins à sortir. Je me rendis dans mes lieux de respiration. Des lieux à moi et pour moi. J’y restai, à bavarder avec l’air, la terre, l’eau, les pierres, les animaux et les jours. La respiration, voilà une chose que je pouvais contrôler.

 

(Traduction de Clara Domingues)

Respirar #1

Respirar #1

© Alice WR

Respirar #2

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© Alice WR

Respirar #3

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© Alice WR

Respirar #4

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© Alice WR

Respirar #5

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© Alice WR

Respirar #6

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© Alice WR

Respirar #7

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© Alice WR

Respirar #8

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© Alice WR

Respirar #9

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© Alice WR

Respirar #10

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© Alice WR

Respirar #11

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© Alice WR

Respirar #12

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© Alice WR

Respirar #13

Respirar #13

© Alice WR

Respirar #14

Respirar #14

© Alice WR

Susana Gonçalves

Certos dias despontam como se tivéssemos chegado ao fim do mundo.

São como um filme negro, ambíguos, sombrios, esburacados.

Ir embora. Sair de cena. Voltar ao centro.

Some days arrive as if we had reached the end of the world.

They are like a film noir, ambiguous, sombre, fractured.

Go. Leave the scene. Return to the centre.

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Victor Meadowcroft)

Certains jours naissent comme si nous étions arrivés au bout du monde.
Ils sont comme un film noir, ambigus, sombres, piqués.

Partir. Quitter la scène. Retour au centre.

(Traduction de Clara Domingues e Nuno Gomes Garcia)

Teresa Afonso

Falam do meu avô como se ainda ontem estivessem na sua companhia.

"Cada vez que saía para o mar, alimentava vidas. Alimentava sonhos. O teu avô tinha um coração do tamanho dos oceanos."
O meu avô é o “Sonho da vida”.

 

 

They talk about my granddad as if they had been with him just yesterday.

“Each time he went out to sea, he used to nourish lives. Dreams. Your granddad had a heart the size of the ocean.”

My granddad is the “Dream of life”.

(Translated by Gabriela Ruivo Trindade & Victor Meadowcroft)

Ils parlent de mon grand-père comme s'ils avaient été avec lui hier encore.
« Chaque fois qu'il partait en mer, il nourrissait des vies. Des rêves. Ton grand-père avait un cœur de la taille de l'océan ».
Mon grand-père est le « Rêve de la vie ».

(Traduction de Clara Domingues et Nuno Gomes Garcia)