• mapasconfinamento

Maria Teresa Horta





PERECÍVEL


Apesar de perecível

vai-se inventando

o poema


com a mão do sobressalto

a partir do indizível


Com versos de arte

e espinho

entre soneto e sonata


Cantata e violino




ASA SECRETA


Quem conhece

a alma

dos poetas?


A chama

do desconcerto

a paixão entreaberta


Quem sabe do

indizível

o voo da asas secreta


Sussurro do invisível

onde

o tempo desacerta




GOLPE DE MÃO


Conforme o destino me derruba

e eu me ergo

ignorando a pancada com um golpe de mão


A febre das folhas na raiz

do silêncio


O negrume do medo

a ferir de raspão


De borco fica a morte

a finura da asa

a fissura da alma que se enleia


A dúvida acesa

sem que nunca se acalme

e me vai magoando a vida inteira


("Inquietude")




PONTO DE HONRA


Desassossego a paixão

espaço aberto nos meus braços

Insubordino o amor

desobedeço e desfaço


Desacerto o meu limite

incendeio o tempo todo

Vou traçando o feminino

tomo rasgo e desatino


Contrario o meu destino

digo oposto do que ouço


Evito o que me ensinaram

invento troco disponho

Recuso ser meu avesso

matando aquilo que sonho


Salto ao eixo da quimera

saio voando no gosto


Sou bruxa

Sou feiticeira

Sou poetisa e desato


Escrevo

e cuspo na fogueira


("Inquitude")




Maria Teresa estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi dirigente do ABC Cine-Clube. Integrou o Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, as Três Marias. Em conjunto lançaram o livro Novas Cartas Portuguesas, que na época teve um forte impacto e gerou grande contestação. Fez parte do grupo Poesia 61. Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, entre outros. Foi também chefe de redação da revista Mulheres a convite do Partido Comunista Português, do qual foi militante durante 14 anos. Publicou cerca de quarenta livros, entre ficção e poesia. Foi galardoada com o Prémio D. Dinis 2011 da Fundação Casa de Mateus pela obra "As Luzes de Leonor", o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e o Prémio Literário Casino da Póvoa 2021, entre outros.


Maria Teresa studied at the School of Arts and Humanities, University of Lisbon. She was part of the Portuguese Feminist Movement, together with Isabel Maria Barreno and Maria Velho da Costa, known as the Three Maries. They launched the book Novas Cartas Portuguesas, which had a great impact back in the dictatorship times. She published a number of texts in newspapers, including Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias and Jornal de Letras e Artes, among others. She was also editor in chief of the magazine Mulheres, having been invited by the Communist Party, where she was a militant for 14 years. She published around 40 books, including poetry and fiction. She was awarded the Prémio D. Dinis 2011 from Fundação Casa de Mateus for her book "As Luzes de Leonor”, the Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores and the Prémio Literário Casino da Póvoa 2021, among others.


Maria Teresa a étudié à la faculté des lettres de l'université de Lisbonne. Elle a travaillé plus tard comme journaliste et a participé au mouvement féministe portugais au côté de Maria Isabel Barreno et Maria Velho da Costa (appelées les Trois Maries) et du groupe Poesia 61. Elle a publié dans divers journaux comme Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias ou Jornal de Letras e Artes. Elle a été rédactrice en chef du magazine Mulheres. Elle a été membre du Parti Communiste Portugais (PCP) jusqu’á 1990. Elle est auteure de romans, de nouvelles, de nombreux recueils de poésies et d’un essai sur l’avortement au Portugal. En 2011, son livre As Luzes de Leonor remporte le Prix D. Dinis. En 2021, elle remporte le Prix Littéraire Casino da Póvoa.

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