• mapasconfinamento

Patrícia Lavelle

Atualizado: 28 de fev.





CONFINAMENTO


(Paris, abril de 2020)



Lá fora o dia azul

traz os jornais

e seu lote de mortos.


Encolho-me aqui no meu

canto

mais triste.


Sei que o mal

está no ar fresco

desta manhã luminosa

mas as mortes cotidianas não

me convencem.


Como acreditar Naquela que

me espera?


*


Na tela luminosa

o país é um mapa

cheio de pontos

vermelhos


Pixels ardem nos olhos

mas não sinto

a fumaça


O país vai ficando

cada vez mais mapa

na distância

o mapa

cada vez mais vermelho

na tela


Parece um coração

pulsando

Parece um coração

parando


(acordo e o pesadelo

continua)




 

É poeta, tradutora e professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, doutora em Filosofia pela École de Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Publicou, traduziu e organizou diversos livros de ensaios na França e no Brasil, entre os quais sua tese de doutorado: Religion et histoire: sur le concept d’experience chez Walter Benjamin (Cerf, 2008). Estreou em poesia com Bye bye Babel (7Letras, 2018, menção honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte). Em colaboração com Paulo Henriques Britto, organizou O Nervo do poema. Antologia para Orides Fontela (Relicário, 2018). Tem contribuído com poemas próprios, traduções e auto traduções para as revistas francesas Po&sie e Place de La Sorbonne.

54 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo